quinta-feira, 10 de outubro de 2013


Me disseram uma vez que amar e uma questão de decisão. Decidir implica em comprometer-se. Amar um irmão e aceitar a outra metade dos defeitos que você não herdou dos seus pais. Amar seu amigo e ter coragem de ser sincero, honesto, e vê-lo, por vezes, chorar . Amar os seus pais e compreender que eles vão te decepcionar algumas vezes durante a jornada da vida – bem como você os decepcionou inúmeras vezes e o afeto deles não tornou-se menor por isso. Mas amar um companheiro requer mais do que tudo isso de um individuo. E comprometer seu tempo, seus sonhos, sua juventude, sua fé, a esperança no que e bom e partilhar metade do que se e. Mesmo depois de tamanha entrega ainda e necessário decidir. Porque entregar-se nada tem a ver com compromisso. Decisão se faz quando nada vai bem, quando o outro já não lhe parece tão bom e o futuro planejado cada dia se torna ainda mais obscuro. E ai, nesse ponto exato, que o menino cede o lugar ao homem - [...]“quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino” I Cor 13:11. Mesmo que custe, ele espera. Mesmo que doa, ele não desiste. Mesmo que pareça que não, ele permanece crendo. E assim porque amor e esperança andam lado a lado. Porque quem ama tem fé e quem tem fé ama ardentemente aquilo que crê.

sábado, 7 de abril de 2012

Alice


09:47 am. Uma figura feminina posiciona suas mãos espalmadas em uma das paredes brancas de um banheiro de hotel enquanto milhares de pingos d’água gelada caem sobre sua cabeça  como uma chuva agridoce de pensamentos, sensações e saudade. Gotas de sua tempestade percorrem seu corpo e fazem o caminho por onde o amor passou. Vinte de dezembro de 1994, terceira-feira, há uma lua bonita lá fora. Pelas ruas se veem muitas pessoas carregadas de sacolas e grandes pacotes com motivos natalinos, atividade comum no mês em que o espírito natalino lidera as vendas. Em frente ao Palácio Avenida, em Curitiba, Alice fotografa as pessoas que passeiam e observam as luzes de natal travestida com um vestido preto e botas vermelhas. Sentada num banco de praça ela folheia uma revista vagarosamente como quem tenta matar o tempo de tédio, só pra vê se ele se apressa e passa mais rápido. Ela tem pressa. Pressa, tem urgência e um coração sempre enfermo de inúmeras e insaciáveis vontades. A hora chegou. Nossa moça atravessa a rua depressa. Enfim o seu momento. Num apartamento iluminado por milhares de vagalumes industrializados afixados no prédio suntuoso a frente ela se despi. Mostra a quem por algum tempo esperou na praça que o pouco tempo foi muito, demais pra ela. O vento gelado que balança as cortinas da janela entreaberta acarinha a aveludada pele da guria, mas o que a faz tremer são os olhos fixos do homem que a fita sentado com um meio sorriso no rosto. Alice se entrega. As grandes mãos de seu verdugo percorrem lentamente seu corpo, bem como seus lábios. Trêmula como uma folha ao sabor do vento, ela repousa imóvel naquela cama, refém do próprio desejo, paralisada pelo querer. Seu senhor repousa-se lentamente sobre seu corpo e enquanto beija seu colo com ternura. A doce moça tem as pernas entrelaçadas ao redor do corpo do seu amado, a fim de não atravessar porta que dá saída do paraíso, e sussurra todas a suas intenções na orelha dele. Ele agarra-lhe os cabelos, segura firmemente os quadris e os dois entram numa dança de passos rápidos e firmes. Alice aperta os olhos e com a mesma força solta um grito que foi ouvido muito além das estrelas, que reconfortou sua alma e quase fez parar o coração. Naquele chuveiro de pingos grandes e frios, não suficientemente frios para inibir as sensações provocadas pela lembrança, Alice pega fogo. Sente como quem teve o corpo  incendiado e chora. Chora de saudade. Saudade do que foi e não volta mais.   

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Começo

Começo sem ponto pra expressar a vontade de ficar muito tempo. Bem, quando decidi criar esse blog foi com o propósito de ser diferente dos demais. Não que os outros não sejam legais, mas quero ser um pouco diferente. Invés de contar a minha história, contarei a dos outros. Sempre penso como a vida é engraçada quando ando pelas ruas da cidade. Todos os dias cruzamos com pessoas e nem nos damos conta de quanta magia elas carregam. Posso até ser taxada de louca por imaginar coisas quando passo por elas, e por sentir que com as que eu encontro até mais de uma vez me sinto intima e identifico esse mesmo sentimento nelas...rsrs! Vejo uma mulher deixando escapar felicidade pelos lábios e imagino que ela deve estar apaixonada, afinal as mulheres não controlam e deixam transbordar. Penso que já cruzei hoje com pessoas que amanhã estarão mortas, mulheres que saberão que estão grávidas, com o próximo vencedor da megasena, um futuro ídolo da música, com um menino que será meu médico na velhice, com um futuro político, com pessoas que saberão que estão com câncer e passarão a viver melhor e outras que se entregarão, e por aí vai. Louco e lindo. Essa é a dinâmica da vida. Com o intuito de apresentar seres HUMANOS independente da cor, credo, opção sexual, atividade profissional, sexo e loucura, eu me apresento primeiro. Meu nome é Monaliza Mirtes, filha mais velha de uma ninhada de três, nascida em 1986 na cidade de Petrolina. Tive uma infância feliz. Joguei muita gude, brinquei de polícia e ladrão, elefante colorido, casinha, boneca e panelinha. Na minha adolescência fiz amigos que levarei para vida inteira. O hoje eu ainda estou escrevendo. E amanhã virá cheio de novidades, espero, e se serão boas ou ruins não sei, mas estarei de peito aberto e coração contente por saber que o dia raiou uma vez mais.